Como extrair proveito máximo dos relatórios de analistas da indústria

Nosso vice-presidente de cibersegurança, Greg Young, aproveita sua experiência passada no Gartner para explicar como discernir o máximo valor dos relatórios de analistas desse setor

Olá, aqui é Greg Young e hoje vou falar sobre uma questão importante no mundo da segurança digital: relatório e avaliações de terceiros. Recentemente vi alguns relatórios novos muito bons (pelo menos na minha humilde opinião).

Sou realmente um grande fã de validação de terceiros para coisas, seja para falar de participação de mercado, Forrester Wave, o Quadrante Mágico do Gartner, esses tipos de relatórios de testes como o NSS Labs, que são realmente valiosos para mim. Claro que isso não é tudo; para que faça sentido em seu contexto, você deve também contar com estudos de casos, mas eu realmente gosto deles porque eles podem ajudá-lo a validar o cenário atual: se as empresas nestes relatórios estão crescendo ou em declínio, se estão perdendo espaço para outros, se têm muitas reclamações etc. 

O fato é que se ouve muitas organizações falarem que são as melhores em uma série de coisas, então a validação de terceiros ajuda muito a separar o joio do trigo nessas horas. Infelizmente, hoje em dia, muita gente gasta mais em marketing que em P&D, o que significa que eles são muito mais uma empresa de marketing do que uma empresa de segurança, pensando por esta perspectiva.

O que isso significa? Que falta substanciação para estas afirmações. É o famoso caso de se julgar pelas aparências: você acha que se trata de uma empresa com excelentes credenciais, mas, na prática, é tudo fachada. Por isso, um dos principais indicadores que eu procuro quando analiso esse tipo de documento de mercado, especialmente os de market share, são as perspectivas. Se está crescendo ou diminuindo, como estão os riscos, se você está investindo em um setor que está com tendências a crescer, ou que está saturado, entre outros fatores.

Falando de tecnologia em particular, inovação é tudo. Não faz sentido comprar soluções de ontem para os problemas de hoje, e isso afeta diretamente a dinâmica do mercado. Concorrentes surgem, se diversificam, criam novas tecnologias concorrentes e isso muda todo o cenário rapidamente. Portanto, não procure apenas pela participação de mercado de um só fornecedor, mas também conheça o status geral do mercado e, em particular, a dinâmica desse mercado e suas definições.

Note que, como estamos falando de análises, sempre podem surgir surpresas, com opiniões e avaliações bem diferentes do que você esperava ou tinha ouvido falar previamente. Isso, contudo, nem sempre indica que você tem em mãos um relatório ruim; indica, talvez, que você tenha algumas definições ruins ou um entendimento ruim do que esse mercado realmente é, e estas novas perspectivas podem ajudar a reequilibrar as coisas.

Fatos e contexto: sabendo interpretar as informações

Você vai ver com frequência dados que sugerem que tal empresa é líder ou referência, mas se prender apenas aos números não é o melhor caminho. O contexto é tudo. O melhor negócio é conferir os relatórios quantitativos, que expõem os números em si, conjuntamente com depoimentos de usuários e estudos de caso, que colocam estes dados em perspectiva e trazem uma visão mais ampla do contexto, o que ajuda muito na decisão da compra.

Um bom exemplo do que estou falando aqui é relacionado à nuvem. A maioria das organizações conta, hoje, com nuvem múltipla ou nuvem híbrida, e isso traz um mar de possibilidades, desde a migração até a sustentação. Avaliar isso em relatórios pode ser um desafio enorme, se os parâmetros avaliados não forem muito bem definidos. O que acontece é que, por conta disso, muitos dos estudos que são publicados acabam não ajudando na hora da decisão sobre segurança na nuvem (ou outros aspectos desta tecnologia), o que torna este processo ainda mais difícil.

Assim, recomendo, novamente, analisar o contexto: conheça as variáveis e os parâmetros dos estudos para saber o que foi levado em conta para avaliar os players em questão. Entenda bem estes pontos e compare com os estudos de caso e o portfólio das empresas para ter mais certeza na sua avaliação. Vale também destacar que a qualidade do estudo é importante e precisa ser levada em conta; quanto mais aprofundado e embasado, e quanto mais precisos os parâmetros, melhor. Aqui temos um ótimo exemplo de relatório que pode fazer toda a diferença para suas avaliações.

O grande fato é que, em tempos de marketing colocado acima da pesquisa, tem gente demais falando que é incrível, e você precisa saber em quem confiar para colocar sua verba no lugar certo. Vale uma última recomendação: opiniões de colegas e usuários. Pergunte para quem já usa, confira as opiniões em fóruns, portais e redes sociais sobre as empresas que você está avaliando, e compare com os cases e relatórios. Isso deve ajudar muito na hora de fazer uma escolha importante como a da cibersegurança para seus ambientes, sejam locais ou em nuvem.

Veja abaixo dois exemplos recentes dos relatórios da IDC e Forrester Wave:

Espero que estas dicas tenham ajudado. Boa sorte nas escolhas e até a próxima!

*Acesse o conteúdo original em vídeo aqui.